A idéia que normalmente as pessoas fazem quando se fala de cavalos está associada à aventura e conseqüentemente relacionam-nos com atos de coragem e bravura.
Durante anos, os cavalos têm-nos intrigados e fascinados, entretêm-nos e mantêm-nos em suspense com a sua espetacular presença e beleza. A sua imponente e majestosa figura tem cultivado fantasias que deram origem a fábulas, lendas, contos, histórias fantásticas, como por exemplo, as da mitologia grega. Destacam-se abaixo algumas histórias que ilustram o protagonismo dos cavalos como figuras fantásticas ou como figuras participativas do seu enredo.


CENTAURO

Os Centauros eram uma raça de seres metade cavalo, metade homem, que viviam nas montanhas de Tessália ao sul da Macedónia, e Arcádia no Peloponeso Central. Embora sem lei e pouco hospitaleiros, um deles era o ser mais gentil da Mitologia Grega : Chiron.
Chiron vivia no sopé do Monte Pelion em Tessália, e era filho de Cronus e Philrya. Foi ensinado por Apólo e Artémis, e ficou famoso pelos seus dotes na caça, música, profecia, botânica, astronomia e medicina. Chiron foi mestre de muitos heróis Gregos, um deles foi
Hércules que o matou acidentalmente com uma flecha envenenada, mas como Chiron era imortal não morreu, no entanto a dor dilacerava-o e por isso queria morrer. Sentido-se culpado, Hércules pediu ajuda a Zeus, este lhe disse que Prometeu, o Titã, há muito que se encontrava acorrentado a uma rocha por ter roubado o fogo aos deuses, e que só um imortal o poderia libertar, tornando-se mortal como castigo.
Chiron libertou Prometeu, e finalmente pode morrer em paz.


PÉGASO

Segundo a mitologia Grega, Pégaso era um cavalo mágico e alado, filho de Poseidone, Deus do mar e da Medusa Gorgona. Esta fantástica criatura, veloz e rápida como o vento, nasceu de uma gota de sangue saída do pescoço de Medusa quando Perseu lhe cortou a cabeça.
Pouco depois do seu nascimento, o corcel mágico saiu cavalgando e com uma pancada no solo do Monte Helicon fez nascer uma fonte de água, que posteriormente foi consagrada às Musas e que segundo se
crê é a fonte da inspiração poética.
Todos tentaram em vão capturar e domesticar o cavalo, tornando-se uma obsessão. Belerofonte, príncipe de Corinto, ficou obcecado com a idéia de capturar o Pegaso, seguindo os conselhos de um adivinho, passou uma noite no templo da deusa Atenea e enquanto dormia, apareceu-lhe em sonhos a deusa com uma rede de ouro e disse-lhe "com ela podes capturar e domesticar facilmente o cavalo alado", quando acordou viu a rede a seus pés, conseguindo deste modo concretizar o seu sonho, capturar o Pégaso.
Pégaso tornou-se numa grande ajuda para o herói e acompanhou-o nas suas aventuras, multiplicando as suas façanhas.
Belerofonte, contudo foi vítima do seu orgulho. Quando tentou voar até ao monte Olimpo para se reunir com os deuses, provocando a ira de Zeus que fez com que caísse do cavalo e como castigo deixou Belerofonte a vadear sem rumo, desconsolado e desprezado pelos imortais.
Pégaso encontrou refugio nos estábulos do Olimpo e mais tarde os deuses transformaram-no numa constelação.
UNICÓRNIO
De todos os animais míticos, é sem sombra de dúvida o mais conhecido e o mais belo, o cavalo dotado de um só corno. O fantástico e mágico corno foi motivo de muitas fábulas que lhe atribuíam características curativas e, não é raro encontrar escritos que narram expedições aos mais recendidos lugares do mundo em busca de tão fantástico animal.
Nas lendas mediáveis, encontramo-lo sempre a comer docemente na mão de uma doce rapariga, pois este formoso animal só se
aproximava das virgens. Só estas e as pessoas puras de coração podiam ver o harmonioso e altivo corno do cavalo, os outros mortais apenas conseguiam ver uma égua branca.
Este animal vivia em bosques cerrados e, dizem que nos bosques em que vivia era sempre Primavera.
O Unicórnio, não só era portador da luz do Sol como também era o guardião do seu território o qual não podia abandonar, se o fizesse morreria.

CAVALO DE TRÓIA

Ulisses estava empenhado no cerco de Tróia desde há dez anos. Os Gregos já tinham perdido a esperança, até que um dia Ulisses implorou à deusa Atenas que lhe enviasse um sinal, dizendo-lhe, que se fosse um sinal vindo do céu regressaria a Ítaca, mas se fosse um sinal vindo do mar permaneceria em Tróia.
Esse sinal veio dos mares, na forma de cavalos marinhos, e assim Ulisses lembrou-se de construir um Cavalo de madeira, um cavalo descomunal com o corpo oco, onde se esconderiam, armados até aos dentes, os melhores guerreiros do exército Grego. Por sua vez, o
resto da armada devia embarcar nos navios como se estivessem a regressar à sua pátria só que se iriam manter escondidos na ilha de Tenedo até novas ordens. Para evitar as suspeitas dos Troianos, um dos soldados gregos deixar-se-ia capturar pelos Troianos, uma vez capturado, o homem deveria contar que os gregos, perdidos todas as esperanças de conquistar Tróia, tinham regressado à sua pátria e, temendo que Atena (deusa da Guerra) se encolerizasse, construiu um majestoso cavalo para oferecerem à sua deusa.
O soldado conseguiu convencer os Troianos da retirada dos gregos e da oferenda à deusa Atena, então os Troianos levaram o gigantesco cavalo de madeira para dentro da cidade e festejaram a sua aparente vitória até ao cair da noite. Enquanto os Troianos dormiam, Ulisses, Menelac, Diomede, Epeo e muitos outros guerreiros saíram do seu esconderijo e atacaram de surpresa os troianos, vencendo a batalha.

O CAVALO DO REI
O único ser de quem Frederico o Grande da Prússica gostava apaixonadamente era o seu cavalo, o mais lindo corcel que se possa imaginar, cavalo digno de um rei, era tão inteligente que conquistou o coração do monarca.
Um dia em que este se encontrava muito aborrecido e atarefado, soube que o seu cavalo favorito estava doente. Num acesso de raiva, sentindo a sua própria insignificância, por não poder salvar a vida ao animal, apesar de ser um grande monarca, proclamou que aquele que lhe desse a notícia da morte do cavalo seria enforcado. Passaram-se alguns dias e o estado do nobre animal era sempre o mesmo, mas uma manhã, quando os pajens faziam uma visita às cavalariças, o moço da estrebaria avisou que o cavalo tinha morrido. Quem se atreveria a dar a notícia ao Rei? Quem ia correr o risco de ser enforcado?
Ali ficaram discutindo vários planos até que chegou a hora de escrever o boletim para ser entregue a Sua Majestade. naquele momento um dos guardas disse ao moço da estrebaria que não tivesse medo, ele próprio se apresentaria ao Rei.
- Como está o cavalo? Disse Frederico.
- Senhor, respondeu o guarda, o cavalo continua no seu lugar. Está deitado e não se mexe, não tem forças e não come. Também não bebe, não dorme, nem respira, nem...
- Então, morreu!..., Gritou impacientemente o Rei.
- Vossa Majestade disse a verdade, respondeu tranqüilamente o guarda. Vossa majestade foi o primeiro a dizer que o cavalo morreu.

LADY GODIVA

Lady Godiva foi uma mulher da nobreza que viveu em Conventry, Inglaterra, no século XI e, conjuntamente com o seu marido, Leofric III, fundou o mosteiro em Conventry no ano de 1043.
Leofric rapidamente se ligou às tarefas públicas, nomeadamente aos assuntos financeiros da cidade de Conventry promovendo o seu crescimento em redor do mosteiro.
Durante as suas novas funções Leofric, aumentou a cargal fiscal à população camponesa o que não agradou a Lady Godiva,
começando esta, uma campanha a favor da redução das taxas fiscais.
Leofric concordou com a redução fiscal, mas impôs uma condição a Lady Godiva que no dia em que ela cavalga-se nua no seu belo cavalo branco pela praça de Conventry, ele reduziria a carga fiscal.
Diz a lenda que Lady Godiva pediu à população de Conventry que, desviassem o olhar quando ela cavalga-se nua em cima do seu cavalo branco pela praça. Devido ao respeito que tinham por ela todos acataram os seus pedido, todos exceto um chamado Tom, que não resistiu à tentação de ver Lady Godiva nua, só que após a ter visto nua sobre o seu belo cavalo branco ficou cego para o resto dos seus dias.

BABIECA, O CAVALO DO CID

Quase mil anos depois, esta história de uma grande amizade ainda encanta a todos.

UNIDOS DURANTE 30 ANOS: ASSIM FORAM RODRIGO DIAZ DE VIVAR, O CID, HERÓI NACIONAL ESPANHOL CUJAS CONQUISTAS INICIARAM A RECONQUISTA DA PENÍNSULA IBËRICA, E SEU CAVALO DE NOME BABIECA. NA ÉPOCA DO CID, JÁ FAZIA 300 ANOS QUE OS MOUROS DOMINAVAM A POPULAÇÃO CRISTÃ, E QUASE OUTROS 400 SE PASSARIAM ATÉ SUA COMPLETA EXPULSÃO.
Rodrigo Diaz emprestou seu nome ao Capitão Rodrigo de Érico Veríssimo, e daí, por tabela, a muitos meninos brasileiros especialmente - por coincidência ou desígnio dos deuses? - a conhecidos cavaleiros. Ainda que o nome do cavalo não seja tão ressonante quanto o do cavaleiro, o garanhão tordilho Babieca está na origem do cavalo Andaluz e Lusitano, vinculado aos monges cartusianos, que estão entre os primeiros a criarem o cavalo ibérico de maneira ordenada. Tal como aconteceu com Alexandre Magno e Bucéfalo, as vidas de Rodrigo e Babieca se confundiram desde a juventude de ambos, com a diferença de que Bucéfalo morreu três anos antes de seu cavaleiro, permitindo que Alexandre lhe rendesse homenagem fundando a cidade de Bucefália. Já Babieca sobreviveu dois anos sem seu cavaleiro; depois de alguns anos, o corpo do cavalo foi levado para a catedral de Burgos - talvez o único eqüino sepultado em terra santa... Só isso já serviria para demonstrar o lugar de destaque que o cavalo do Cid sempre ocupou no imaginário do povo espanhol, lembrado até hoje a cada vez que um cavalo ibérico se exibe em seus passos garbosos, como se o fizesse para si mesmo, e não para quem está à sua sela.
Passados novecentos anos, lenda e realidade por certo se fundiram na história do Cid, com destaque para dois textos antigos - o Poema del Cid, do século XII, e a Crônica Particular del Cid, de 1512. Muitas pessoas se lembrarão do filme épico “El Cid”, com Charlton Heston e Sophia Loren, pouco exato do ponto de vista histórico, porém certamente cheio de belos cavalos para serem admirados.
Nascido em 1040 em Vivar, Castilha (perto de Burgos), Rodrigo Diaz foi um impiedoso soldado profissional - o que hoje chamamos de mercenário - que ainda em vida ganhou as alcunhas de Cid (senhor) e Campeador (guerreiro).
As fontes históricas relatam como Rodrigo Diaz, ainda rapazinho, teria recebido um potro como presente de seu padrinho, um monge cartusiano conhecido como Peyre Pringos (“Pedro Gordo”). Em seus monastérios, tal como em Jerez de La Frontera, as diversas ordens religiosas há tempos se dedicavam à criação de cavalos. Com dúzias de belos potros a escolher, o menino Rodrigo se decidiu por um que a imaturidade fazia parecer feio e cabeçudo, e não mudou a idéia a despeito da insistência do padrinho, até que esse, exasperado, exclamasse: “Babieca!” - na época, termo coloquial para estúpido. Sem se dar por vencido, o menino declarou que este seria o nome do animal. A medida que os anos se passaram, ficou evidente que, além de teimoso, Rodrigo Diaz tinha o olho que caracteriza o verdadeiro homem do cavalo, pois o potro mirrado, com o desenvolvimento tardio típico da raça, se tornou o tipo então considerado ideal para cavalos de batalha - não muito alto, porém troncudo, atento ao cavaleiro, ágil e cheio de “brio escondido”. Por este termo conhecia-se o valor interno de um cavalo que podia parecer apático ou lerdo à primeira vista, mas cheio de fogo e de coragem quando solicitado. A história do potro Babieca comprova também que o desenvolvimento tardio é sinônimo da longevidade do cavalo ibérico, pois ele ficou sendo o principal cavalo do Cid por toda sua vida. Na casa dos trinta, o cavalo continuava utilizado nas batalhas, embora outras montarias fossem utilizadas nas viagens entre cidades. Este era o costume dos oficiais montados, que poupavam seus cavalos treinados para a guerra para batalhas mais importantes.
Durante o cerco de Valência em 1099, o Cid morreu em conseqüência de seus ferimentos. A notícia renovou o espírito das forças inimigas, e o desenlace da batalha dependeria do ânimo do exército espanhol mesmo desprovido de líder. Antevendo esta situação, as últimas ordens do Cid tinham sido que seu cirpo fosse preso à sela de Babieca e levado a marchar à frente das tropas, no derradeiro ataque à cidade sitiada. Em absoluto silêncio, o exército dirigiu-se às muralhas precisamente à meia-noite, com os cavaleiros trajados de branco e empunhando bandeiras brancas. A crônica relata que havia ume “luminosidade supernatural” no rosto de Cid por entre a viseira aberta do elmo. Defrontados com a aparição do cavalo tordilho com seu famoso cavaleiro a frente de hostes silenciosas, os mouros fugiram em pânico, crentes de que o Cid Campeador havia ressurgido dos mortos.
Rodrigo Diaz está sepultado na Catedral de Burgos, e há 900 anos ele ocupa a posição inconteste de herói nacional da Espanha. Nunca mais homem algum subiu à sela de Babieca. Levado ao mosteiro de San Pedro de Cardena, ele ainda viveu por dois anos, morrendo com quarenta anos de idade. Ainda hoje existe neste local um memorial em seu nome. Tendo Babieca permanecido um cavalo inteiro, e estando as casas monásticas entre os primeiros criatórios organizados do cavalo ibérico, é razoável supor que boa parte dos nossos atuais cavalos Lusitanos carreguem em si um pouco de seu sangue - descendentes diretos de Babieca, corcel de guerra do Cid Campeador.