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Por fim, o território muito mais vasto de utilização
do cavalo, estendendo-se agora da China até a Ibéria,
bem como o aumento da população eqüina por
toda essa imensa área, foram importantes fatores de mudanças.
E importante, todavia, não perder de vista as diferenças
e semelhanças existentes entre os dois distantes extremos
geográficos do mundo eqüino na Idade do Ferro: a Ibéria
e as estepes da Mongólia, urna vasta extensão territorial
incluindo de permeio a região de “cavalos de qualidade”
do território Ponto-Caspiano. Esses extremos tinham em
comum o relativo subdesenvolvimento cultural, os excelentes cavalos
e o conhecimento avançado da equitação e
das táticas de cavalaria, fatores que fizerem de seus habitantes
inimigos temíveis para todos os povos que os enfrentaram
na guerra.
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Desenvolveram programas extensivos de criação
de “cavalos de qualidade” (Ponto-Cáspio e
Ibéria) bem corno de eqüinos grosseiros (Mongólia)
e supriram tanto animais quanto mercenários para impérios
e povos mais ricos, poderosos e sofisticados. As diferenças
começavam com o próprio meio ambiente: plano,
frio, desértico, onde somente homens e cavalos muito
resistentes podiam sobreviver no extremo oriental, contrastando
com um terreno montanhoso, mais fértil, úmido
e quente, que oferecia condições superiores de
sobrevivência tanto no Ponto-Cáspio quanto no extremo
oposto |
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da
Ibéria. As coordenadas geopolíticas eram também
opostas: enquanto as estepes eram um espaço aberto, permanente-mente
sujeito a freqüentes invasões que provocavam o efeito
cascata de povos vencidos deslocando-se sobre seus vizinhos, que por
sua vez, invadiam regiões limítrofes e assim por diante,
numa sucessão infindável de perturbações,
a Ibéria, ao contrário, é um território
fechado, uru verdadeiro ‘finis terrae’ cercado e defendido
por todos os lados por mares e montanhas.
Enquanto que os povos das estepes eram freqüentemente obrigados
pelas condições climáticas, pela falta de água
e de alimentos, ou pelas invasões inimigas que se abatiam sobre
eles a deixarem suas terras partindo em busca de novas pátrias,
os povos ibéricos, nunca tiveram que deixar seus territórios,
sempre adequadamente supridos de água e alimentos; se atacados
pelos vizinhos ou por outros inimigos, vencedores e vencidos continuavam
a viver lado a lado, com uma nova hierarquia de poder que de pronto
se estabelecia.
O resultado de tudo isto é que os povos de cavaleiros das estepes
praticavam a cultura do “raid”, tinham o apetite pela
pilhagem e criavam um cavalo que pudesse servi-los ao longo dessa
vida difícil, repleta de lutas e combates: um animal resistente,
confiável, um companheiro de estimação que nunca
abandonavam. Além de servir ao seu dono como meio de transporte
- como animal de sela ou de tração - o cavalo era também
uma fonte de sustento, fornecendo leite e carne; além disso,
as peles e crinas serviam de matérias primas para os arreios
e as tendas. Quando encontraram os mais finos e melhores cavalos de
sela do Ponto-Cáspio, os hunos e outros nômades cavaleiros
nunca abandonaram suas rudes montarias em favor desses animais mais
refinados, porém menos resistentes, pois, não deitando
raízes definitivas, estavam sempre em movimento e tinham que
estar permanentemente preparados para súbitas retiradas de
volta aos inóspitos territórios de origem onde esses
belos cavalos não sobreviveriam. .
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Na Ibéria, ao contrário,
homens e cavalos tinham raízes. Não precisavam
viajar por longas distâncias sobre terras inóspitas
e hostís, mas ao contrário, podiam viver e lutar
próximos de suas pátrias. Táticas de
cavalaria, sem qualquer influência de experiências
prévias de carros de combates foram desenvolvidas para
ganhar o dia num confronto individual, cavaleiro contra cavaleiro,
ou contra infantaria, em combate direto ou emboscada; o objetivo
era sempre a conquista ou a defesa de território ou
posições, mais do que a pilhagem ou o “raid”
sem ambições de conquista territorial. O cavalo
tinha que ser veloz, |
flexível, corajoso e fácil de montar; rápido
e dócil no arrancar, no estancar, e nas piruetas. A ‘dressage’
clássica tem aí sua origem; foram os cavalos ibéricos,
selecionados para esses movimentos que a criaram. Não obstante
essas diferenças, entretanto, em ambos os casos, a vida do
guerreiro dependia integralmente de sua montaria, da capacidade do
cavalo de engajá-lo na “melée” e, em seguida,
extrincá-lo da confusão retirando-o ileso do campo de
luta.
As táticas das duas cavalarias eram também muito semelhantes,
consistindo num ataque de surpresa, seguido de rápido recúo
para atrair a perseguição do inimigo, somente para subitamente,
virando-se, atacá-lo ou surpreende-lo em emboscada para a qual
o dirigiam quando, no calor da perseguição se afastavam
de suas bases e de seus companheiros. As armas, entretanto, eram diferentes;
os cavaleiros das estepes usavam o arco composto, enquanto que os
guerreiros ibéricos empregavam espadas, dardos e lanças.
Mas a grande diferença entre o cavalo ibérico e os demais
foi construída pela milenar seleção de eqüinos
próprios para os combates “à gineta”, a
forma típica de guerrear dos lusitanos e demais povos ibéricos.
Extrato do Livro “A History of the Horse”
PG. Gonzaga, J A. Allen, London. |
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