O primeiro ano será do desbaste e sua confirmação, com um trabalho consciente e metódico à guia com cilha, sela, algumas sessões com rédeas fixas e finalmente com o cavaleiro. Estas lições devem ser principalmente a passo e trote, com pequenos períodos de galope, ao contrário do que muitas vezes assistimos. Posteriormente com o cavalo solto montado cumprindo e aperfeiçoando as figuras simples de geometria do picadeiro. Terá que haver um cuidado muito especial para tranqüilizar o cavalo nas lições de apertar da cilha, montar e desmontar, com o fim de evitar possíveis acidentes. Direito e para diante: Este título é a diretriz para a orientação do trabalho indispensável à descontração psíquica e ao desenvolvimento das faculdades físicas e aptidão do cavalo. Nesta fase, o cavalo aprende a suportar o peso do cavaleiro, descontraindo a musculatura dorsal, subindo ligeiramente a colocação a musculatura dorsal, subindo ligeiramente a colocação da cabeça e pescoço, que apesar de não ter que atingir obrigatoriamente o Ramené nunca deverá permitir o encapotamento! Pretende-se conseguir o equilíbrio natural sob o cavaleiro, a passo, a trote e em pequenas lições de galope em linhas retas e ligeiramente curvas. Procura-se aqui um relaxamento e uma disposição psíquica para cooperar.

BAIXA ESCOLA
A baixa Escola dos antigos compreendia o conjunto de exercícios necessários e suficientes para tornar o cavalo seguro e confortável na sua utilização, quando montado. Esta ginástica constituía uma preparação eficiente e eficaz para a abordagem dos exercícios de alta escola, mas por si só não pretendia conduzir diretamente a ela, necessitava de um complemento de preparação, principalmente no que respeita à concentração que ela procurava com a ajuda da utilização dos Pilões. Baucher abandonou a utilização dos Pilões como preparação para a alta escola. É na baixa escola que a verdadeira ginástica do corpo começa. Inicia-se uma sucessão de exercícios com dificuldade progressiva, baseada nas figuras geométricas de picadeiro, com uma regularidade e método de trabalho, evitando sempre os excessos. Primeiro deveremos sempre iniciar o trabalho por exercícios de relaxamento e distensão dos músculos e ligamentos para seguidamente pedir exercícios de contração e concentração.

Com a finalidade de conservar e mesmo aumentar progressivamente a impulsão devemos fazer alterações freqüentes da velocidade do andamento. Estas transições aumentam a permeabilidade. O cavalo durante a evolução da baixa escola deve progredir direito e para diante obedecendo às ajudas, nas voltas, mudanças de direção e transições sem perder a impulsão. Nesta fase do ensino do cavalo podemos e devemos recorrer ao trabalho à vara, que possibilitará um relaxamento e fortificação dos tendões, ligamentos e músculos dos posteriores, graças à transferência do peso com a conseqüente maior flexão dos posteriores. Aqui, deveremos preocupar-nos sempre que os cavalos puxem o peso atrás, fazendo a flexão da articulação tíbio-társica, fechando os ângulos. É importante que não metam os posteriores por inteiro debaixo da massa, numa atitude agachada, que lhes dará tendência a aproximarem os posteriores dos anteriores, que ficarão incorretamente atrás da vertical, tirando-lhes posteriormente brilhantismo, principalmente nos exercícios de trote, piaffer e passage.

Com esta maior flexão dos posteriores mantendo os anteriores na verticalidade, os movimentos do antemão tornam-se mais livres, mais elevados e logicamente mais elegantes. É aqui que começa a preparação do piaffer e que começamos a adivinhar a intuição e habilidade particular, de cada cavalo para certos ares altos. Na baixa escola, com a evolução do trabalho do cavalo montado, os andamentos de escola começam a distinguir-se dos anteriores, por serem mais elevados, mais impulsionados e com uma extensão menor das passadas. A flexibilidade das ancas é acrecida exigindo-se maior concentração. A baixa escola é composta pelos 3 andamentos executados dentro do rassembler, com boa flexão dos posteriores, assim como dos exercícios em duas pistas. Para se conseguir que o cavalo se torne cada vez mais disponível ao cavaleiro, há que transformar progressivamente o equilíbrio natural do cavalo, em que o antemão é naturalmente sobrecarregado relativamente ao posta-mão pelo que há que transferir esta sobrecarga, agravada pelo peso do homem para os posteriores. Esta transferência do peso dos anteriores para os posteriores deve ser feita progressivamente, até que se obtenha uma sobrecarga mais uniforme nos quatro membros. Aqui poderemos dizer que obtivemos uma colocação do cavalo em equilíbrio.

Esta transferência de peso para trás consegue-se pelo abaixamento das ancas, comprimindo passageiramente as articulações dos posteriores, sempre com boa flexão dos curvilhões, desenvolvendo assim as forças que nela residem: força de propulsão e força de suporte. A descontração de todo o sistema muscular será condição essencial para toda esta transferência de peso, de diante para trás, colocando assim o cavalo em equilíbrio. Para descontrair muscularmente o cavalo podemos e devemos recorrer ao trabalho de flexões, que nos torna possível manter o cavalo direito de espáduas e ancas, mantendo a sensibilidade às ajudas, mantendo-se impulsionado. Os trabalhos de flexões fazem-se tanto em linhas retas como no circulo, bem como numa só, ou em duas pistas. Posteriormente teremos que preparar a transição para os ares de alta escola e aí é preciso acentuar o rassembler, para poder executar os andamentos em duas pistas o que torna necessário de novo um encurtamento da passada sempre dentro de uma boa impulsão. Entramos aqui então no passo, trote e galope de escola, que já exigem uma flexão muito maior das ancas. O passo é mais concentrado e aperfeiçoado. O cavalo está mais reunido, e os seus gestos são mais vivos e mais elevados, mas cobrem menos terreno que no passo ordinário.

O passo de escola só poderá ser obtido em pequenas sessões, porque no princípio do ensino do cavalo o passo tem um papel limitado, devido à impulsão que lhe falta. Com o aperfeiçoamento das transições de todos os andamentos ao passo e às paragens conseguir-se-á um aperfeiçoamento do passo concentrado. O trote de escola caracteriza-se por um bom rassembler e uma elevação e suspensão acentuadas, com passadas cadenciadas e com bastante impulsão. No desenvolvimento do trote de escola, que é a base da alta escola, o cavaleiro deverá acordar os efeitos contrários das ajudas de propulsão e de retenção e evitar toda a dureza e violência, com a finalidade de manter a impulsão, a frescura, a boa expressão do andamento e a permeabilidade no cavalo. Depois de um bom trote de escola, os exercícios de duas pistas com o aumento progressivo das encurvações e do rassembler preparam o cavalo para abordar os ares de alta escola propriamente ditos. O galope de escola caracteriza-se por impulsão, cadência e vivacidade, com batidas ligeiras e rápidas, sucedendo-se a intervalos regulares. Quanto às ajudas, a perna e a rédea de fora devem, no desenvolvimento deste andamento, ter uma ação predominante, enquanto a perna de dentro impedirá o posterior do mesmo lado de se escapar, e a rédea de dentro manterá a flexão do antemão.

Além do anteriormente descrito, as meias paradas e paradas corretas, assim como o recuar são bastante importantes para preparar os cavalos para a alta escola. A paragem é tanto mais perfeita quanto mais peso o cavalo puser nos posteriores bem metidos e bem fletidos, mantendo um apoio ligeiro na mão, com o pescoço e a cabeça colocada altas e no ramener, permanecendo nesta colocação rassemblé em imobilidade! Há que ter em atenção que uma paragem correta e a este nível é um exercício dificílimo, pelo que o cavaleiro, na sua preparação e num cavalo novo, deve começar pelas meias paragens, ser condescendente, evitar violência para que o cavalo pare confiado e não ganhe pavor ao referido exercício, mantendo-se irrequieto e instável, não agüentando a imobilidade como assistimos freqüentemente em provas e apresentações. Quanto mais se aperfeiçoam as paragens pela crescente flexibilidade dos posteriores, melhor preparado estará o cavalo para recuar corretamente. Estando o cavalo parado, com bom contato na mão por um efeito da mão pedimos-lhe, passo a passo, que se desloque para trás, devendo as pernas unicamente evitar que se torça, escapando-se lateralmente com os posteriores. Poderá recorrer-se aqui a um ajudante apeado com uma vara que dará pequenos toques no peito e nos membros anteriores, o que facilitará ao cavalo a compreensão do exercício pedido. A seguir a cada passo, pausa e recompensa, só depois do cavalo fazer cada passada isolada calmamente, deveremos pedir várias passadas seguidas, apoiando bem os bípedes diagonais consecutivamente, levantando os membros sem os arrastar.

Só quando em qualquer dos andamentos conseguirmos fazer uma paragem completa em bom equilíbrio, mantendo alguns momentos a imobilidade, com a frente alta e recuar alguns passos corretamente, teremos o cavalo preparado para iniciar os ares de alta escola, que iram exigir uma flexão ainda maior dos posteriores. Devemos assim concluir:

- A BAIXA ESCOLA consiste em montar o cavalo concentrado, e todos os andamentos voltar e fazer voltas dentro de um perfeito equilíbrio.

- Nunca devemos esquecer que a SUPERIORIDADE HUMANA se deve sempre manter com: confiança, punição correta, afeto, ou esperança de recompensa!

- Perante as dificuldades de evolução ou execução de um exercício todo o PICADOR COMPETENTE deve interrogar-se sobre os seguintes pontos:
a) O cavalo percebeu o que se pediu?
b) Terá o cavalo preparação ou compleição física para completar esse exercício?
c) Terá ele feito prova de má vontade?
A má vontade resulta muitas vezes de impossibilidade física, falta de preparação, robustez, surmenage, fadiga ou mau emprego das ajudas.

- A BRUTALIDADE não conduz a nada em equitação.
Nas três fases (DESBASTE, BAIXA ESCOLA E ALTA ESCOLA) os fins ideais são praticamente os mesmos, segundo as várias Academias e autores:
- Ausência total de violência.
- Correção da posição do cavaleiro com descrição máxima no emprego das ajudas.
- O prazer estético da apresentação.
- “La sensatios de rien faire”.