Falar da equitação de toureiro não me parece tarefa fácil. Que existe, não tenho dúvidas. Como a podemos definir, caracterizar com exatidão, já é mais complicado. Na generalidade, a equitação tauromáquica tem como objetivo levar um cavalo a enfrentar um touro. Como todas as equitações não tem receitas infalíveis, tem si objetivos bem definidos. É na procura do objetivo final do combate com o touro, que os cavaleiros escolhem e empregam os mais variados exercícios. O toureiro a cavalo é ma atividade individual e cada cavaleiro constitui, por assim dizer a sua “escola”. Não há uma “escola” comum. Há tantas maneiras de levar um cavalo a tourear como existem cavaleiros tauromáquicos. E é natural que assim seja. O ato de montar a cavalo de apreender e transmitir sensações, esse “diálogo” constante entre cavaleiro e cavalo, é já de si mesmo uma atividade fortemente individualizada. Quando o montar a cavalo tem como destino final a lide de um touro bravo, a interpretação pessoal do que é o toureiro, pressupõe também uma interpretação pessoalíssimo da equitação que torna esse combate possível.
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O que quero dizer com isto é que não existe uma “escola” mais sim um objetivo comum. Objetivo esse que obriga a um conjunto de atitudes que podemos chamar de tauromáquicas. A grande mobilidade exigida aos nossos cavalos, a generosidade, a disponibilidade, as variações de velocidade, de direção, são na sua base a antiga equitação de guerra. A evolução da equitação não tem deixado de fora os cavaleiros tauromáquicos. A revolução baucherista não os deixou indiferentes. Muitos dos procedimentos preconizados por tão discutido Mestre, ainda hoje são possíveis de serem aplicados nos cavalos tauromáquicos. O trabalho à vara, as flexões, a procura do rassembler, em que anteriores e posteriores buscam o centro de gravidade, a descontração do maxilar, tudo isto é possível de ser visto em muitos dos nossos cavaleiros/toureiros. Foram métodos

“importados” de outras equitações e que os toureiros têm impedido de procurar uma base sólida para as suas equitações. A equitação tauromáquica é a descendente direta da antiga equitação de guerra. É o combate individual. Manteve a condução com uma só mão e a outra, ajuda o menos possível, para estar livre para o manejo da arma. Neste caso o ferro comprido (ou o rojão) ou as bandarilhas. Tem evoluído e através dos tempos tem ido “beber” a outras têm continuado. Aqueles, que são só o fruto da moda, desapareceram. É assim também nas outras áreas. O tempo acaba por filtrar o eficaz da moda passageira.

Como em todas as equitações de trabalho, entendendo como tal o uso do cavalo para um fim em que ele é a “ferramenta” indispensável ao cavaleiro, a beleza final passa por cavalos arranjados. Sem cavalos arranjados, ou melhor, bem arranjados, é impossível uma utilização artística. É na procura dessa beleza, no ideal de transformar a lide de um touro em Arte, que os cavaleiros/toureiros perdem, ou melhor, ocupam horas e horas de treino com os seus cavalos. Falar de método, de escola, para mim, é difícil. Entre os cavaleiros tauromáquicos, muitos foram, de forma direta ou indireta, alunos de grandes cavaleiros de Escola. Adaptaram essa base que é comum a todas as equitações, na procura das atitudes mais favoráveis à prática do toureiro. O trabalho no circulo, a mobilidade permanente, um elevado grau de rassembler, boas saídas ao galope, a capacidade de aumentar e reduzir o galope não são exclusivos da equitação tauromáquica. Aqui são isso sim, de primeira necessidade. Em equitação, seja ela qual for, os grandes objetivos são sempre cadência e rassembler. Conseqüentemente IMPULSÃO. É isso e só isso que distingue o essencial. A boa e a má equitação.