É muito comum no meio do Cavalo Lusitano ouvirmos ou lermos expressões como: “Garanhão importado com 80.0 pontos” ou “Garanhão Veiga melhor Pontuado da Raça” ou mesmo “Garanhão negro com 82.0 pontos”. Muito se fala a respeito das pontuações e pouco se fala a respeito de como esta pontuação é feita e quais foram os critérios utilizados pelos juizes.

Para analisarmos o Cavalo Lusitano no seu conjunto ou nas suas partes individualmente devemos sempre ter a mão o “Padrão Racial Oficial”. Lendo o padrão do Lusitano vamos perceber que em muitos casos ele não é claro, ou usa termos que nos deixam confusos.


Somente com o tempo, a discussão e a observação dos cavalos é que um parâmetro do que é desejável ou indesejável pode ser fixado no olho do julgador. Primeiramente vamos falar de como a escala O a 10 é utilizada para que as pontuações finais de diferentes julgadores experientes não sejam muito diferentes e possamos criar uma unidade em um assunto que é tão polêmico. O que pretendemos é diminuir a subjetividade, criando parâmetro que possam ser utilizados pela maioria dos julgadores. Lembrando que as notas atribuídas nunca são “quebradas”, sempre notas cheias nunca 75 ou 6.75, sempre 5.0 ou 8.0. Partiremos, nessa tentativa de elucidar dúvidas em relação a como são feitas as pontuações, da nota “7”.

“7” O SUFICIENTE
O “7“ é o aceitável, o bom, quer dizer que o item analisado não deve ser penalizado mas também não deve ser bonificado. Muitas vezes pontuamos um cavalo que chamamos de “cavalo de 7” quer dizer, este animal é correto mas não é o desejável, não deve ser bonificado, por outro lado não podemos penaliza-lo é um cavalo na média, não se destaca mas não tem defeitos. É o SUFICIENTE, mas não o desejável.
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PENALIDADES
Na escala de O a 10 as notas abaixo de “7” são penalizantes, como qualquer nota abaixo de “5” é na realidade desclassificante, basta uma nota “4” para mostrar que aquele item é inaceitável.
Se temos que penalizar algum dos itens da tabela de julgamento teremos em 99% dos casos 3 opções:
Nota 6 uma penalização leve, mas que deve ser levada em consideração:
Nota 5 penalização pesada mas não desclassificante:
Nota 4 penalização pesada e desclassificante.
As pontuações 0, 1, 2 e 3 são raramente utilizadas pois criadores com animais com pontuações desse nível normalmente não os apresentam, e para desclassificar um animal basta atribuir-lhe uma nota.


BONIFICAÇÕES
Notas acima de “7” são consideradas bonificadoras. Se temos que bonificar algum item da tabela de pontuação teremos em 100 % dos casos 2 opções:
Nota 8 Bonificação para um item que se destaca ,que é muito bom:
Nota 9 Bonificação pesada para um item que consideramos o ideal, o desejável, o melhor.
• A nota 10 nunca é atribuída, é a perfeição e em algo vivo não seria prudente da parte de um juiz dizer que algo é perfeito.
Vamos então analisar as tabelas de pontuação utilizadas em exposições de morfologia, que são duas, para animais apresentados a mão e para animais apresentados montados, no caso de machos a partir da quarta categoria.

O que todos devem prestar atenção é nos pesos dos diferentes itens e na importancia dos andamentos nesta tabela. O mais prático para o entendimento é sempre ter como base a nota “7”.
Então quando começar a analisar um animal parta do pressuposto de que ele é nota “7” em todos os itens. Daí em diante vão analisar os itens que devem ser penalizados e os que devem ser bonificados e com que intensidade. Muitas vezes o que acontece é dois itens que fazem “fronteira” como (cabeça/pescoço), (pescoço/espádua e cernelha) ou (dorso e rim/garupa) as vezes mereçam apenas uma penalidade ou bonificação devendo o julgador optar pelo irem que será bonificado/penalizado.
Por exemplo, uma má ligação de Pescoço com a Espádua poderá ser penalizada no irem “Pescoço” ou “Espádua Cernelha”, dependendo do animal. Nem sempre temos que penalizar/bonificar dois itens “fronteiriços”.
Outro fator que pode atrapalhar o entendimento do julgamento é a beleza e atitude do animal. Animais com muita “atitude” chamam a atenção e nem sempre se classificam bem. Vamos fazer uma pequena analise de dois animais fictícios com as seguintes pontuações:

ANIMAL 1 - A primeira vista um animal de 80.0 pontos, muito bonito e de formas muito boas, devendo ser bonificado nos itens relativos a morfologia, mas que não se apresentou a passo, por ser muito agitado e não trotou bem devendo ser penalizado;
ANIMAL 2 - A primeira vista um animal de 70.0 pontos, não tão bonito e de formas não tão desejáveis em morfologia, mas correto, não devendo ser penalizado. Porém teve em seus andamentos uma performance que trás uma bonificação tanto no passo como no trote;

O que podemos perceber nestes dois animais é que o “1”, que a primeira vista é um animal de 80.0 pontos, ganhou do “2”, que a primeira vista é um animal de 70.0 pontos por uma diferença de apenas 1.0 ponto. Se o animal “1” em qualquer dos itens de peso 2 (cabeça/dorso e rim/garupa/conjunto de forma) tiver uma nota 7 irá empatar com o “2”. Da mesma maneira que o animal “2” conseguindo um 8 em um destes itens. Acontecendo as duas coisas o animal “2” vencerá o “1” confundindo o público que está assistindo ao julgamento. Imaginem então uma situação onde

um número de 20 ou mais animais são pontuados como é difícil antes de fechar as “contas” saber qual e a classificação final. E claro que em um julgamento o juiz tem uma idéia da classificação ou saber qual será o animal vencedor.

Em exposições de alto nível, onde dois ou três juizes estão pontuando essa matemática fica ainda mais complexa. Assistir a um julgamento nem sempre é uma atividade atrativa, mas muito importante para a evolução de seu plantel. Procure se obrigar a assistir julgamentos de uma maneira mais técnica e procure entender o que está acontecendo dentro da pista, sem necessariamente concordar com os resultados.


Procure entender melhor essas tabelas para entender melhor o resultado dos julgamentos. Exercite seu olho em seus próprios animais, se obrigando a analisar os animais nos diferentes itens e fazendo uma pontuação vai ajuda-lo na seleção e preparo dos seus animais para exposição.
A apresentação dos animais, estado geral e de condicionamento, e a maneira com que são apresentados são fundamental para que os juizes possam atribuir as notas da melhor maneira possível. Existe uma maneira ideal para condicionar e treinar animais para a pista, e bons apresentadores podem tirar proveito de algumas características do animal assim como tentar esconder defeitos.
Algumas vezes temos em pista um bom animal, mas que não está bem preparado ou apresentado sendo prejudicado em sua pontuação. Por exemplo, quando um apresentador inexperiente não consegue fazer o animal andar a passo ou conduz o animal de maneira que ele inverta o pescoço ou pare em posição não desejada para análise de aprumos.
Um bom preparo e bom apresentador vão tirar do animal o máximo de seu potencial. Uma exposição é na verdade um grande concurso de beleza e movimentação, não basta ter bons animais temos que saber como apresenta-los.

O que podemos perceber é que naturalmente uma padronização na maneira de apresentação está sendo instituída o que facilita o trabalho dos juizes.
· Canelas sobre o comprido, secas e com os tendões bem destacados.
· Boletos secos relativamente volumosos e quase sem machinhos.
· Quartelas relativamente compridas e obliquas.
· Cascos de boa constituição, bem conformados e proporcionados, de talões não muito abertos e coroa pouco evidente. Nádega curta e convexa.
· Coxa musculosa, sobre o curto, dirigida de modo a que a rótula se situe na vertical da ponta da anca.
· Perna sobre o comprido, colocando a ponta do curvilhão na vertical da ponta da nádega.
· Curvilhão largo, forte e seco.
· Os membros posteriores apresentam ângulos relativamente fechados.